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As mãos da avó Frida (de Alma Welt)

Minha avó Frida cultivava seu jardim Pois que já tinha a própria vida em ordem. Mas sabemos que a ordem não é assim Se os remorsos, não raros, nos remordem. Mas a velha que vivera guerras, duas, Tinha o peso e a leveza do momento, Manuseando as rosas de mãos nuas, Pois de tudo tirara ensinamento... E eu olhava suas hábeis mãos calosas (que a mim pareciam um pouco garras) A lutar com o humor de suas rosas. E se algo um destino humano sela, Essas mãos desataram minhas amarras Para me soltar no mundo longe dela... . 26/01/2021
As rosas no pó (de Alma Welt) "O mistério da Razão, eis o mistério Que desafia a própria razão nossa, Pois ela é Deus em forma de critério Ou o Diabo de nós fazendo troça"... Assim dizia Frida Welt, minha avó, Que ao podar rosas, retirando larvas E ervas más que compartilham nosso pó, Não eram necessárias nem palavras... Minha avó era em si alegoria, E eu sabia que se ela fosse muda Suas ações teriam igual sabedoria. Morreu Frida e eu voltei ao seu jardim E só encontrei pó, terra desnuda; Plantar rosas só cabia agora a mim... . 26/06/2018 A barlavento (de Alma Welt) Vão-se as dores e risos com os ventos, Vão-se neles nossas loucas veleidades... Então ficam nossos passos bem mais lentos Carregados de lembranças e saudades... Assim Frida, a minha avó, dizia, Mas o fazia por certo em alemão, Que como versos de Goethe soaria, A mim, guria, sentada ali no chão. Vão-se os anos na cruel fuga do vento E ficam nossas lembranças ancoradas Ou singrando n...